Os desafios de um psicólogo no interior

  • 28/10/2008 18:52

Com quase duas décadas de formado, e contando com uma vasta experiência no campo da psicologia, incluindo a atuação no sistema penitenciário de Campo Grande, em 2003 a vida do psicólogo José Magno Macedo Brasil sofreu uma mudança digamos, radical.

Ele, que sempre trabalhou com psicologia clinica, havia prestado concurso
público para prefeitura municipal de Costa Rica . Dois anos depois foi chamado a atuar no município, missão que não parecia ser das mais fáceis. E Magno não se enganou: ao chegar a cidade, concluiu que o serviço de psicologia praticamente inexistia naquele local.

O primeiro passo foi fazer um trabalho de base, ou seja, conscientizar tanto os profissionais que atuavam nas unidades Básicas de Saúde, como a população, sobre o importante papel da psicologia. ”Foi ai que a psicologia conquistou seu espaço junto ás outras profissões dentro dessas Unidades” . Atualmente, segundo ele, o município conta com mais três profissionais da área, trabalho por pelo menos oito horas diárias.

Outro percalço enfrentado por Magno foi o preconceito com que muito moradores da cidade viam a atuação dos profissionais da psicologia. ”Na cabeça de muitos deles o psicólogo trabalharia com gente louca”, conta. Ele diz que hoje felizmente esse tabu foi quebrado. “Agora as pessoas compreendem que o psicólogo cuida não apenas da saúde mental, mas também do bem-estar social.”

A aceitação do trabalho de Magno foi tão boa que em 2008 ele foi convidado para coordenar o programa “Amor- Exigente”, que atua junto aos dependentes de substancia psicoativas. Na opinião do psicólogo, o convite representou um grande avanço para a categoria. “ O trabalho que desenvolvi naquele município ganhou projeção até em Campo Grande, que está distante mais de 380 Km de Costa Rica. Conseguimos despertar na população a importância dos cuidados com a saúde mental. Tanto que, a psiquiatria que integra a equipe da Unidade Básica , realiza atendimentos apenas a cada quinze dias”.

Além do serviço de atendimento, Magno também procura fazer esclarecimentos sobre saúde mental, nos veículos de comunicação de Costa Rica. “Uma vez falei sobre dependência, e também outros assuntos relacionados á psicologia , durante três horas em uma rádio”. Ele ainda é responsável por uma coluna de um site de notícias local.

Apesar de boa fase profissional, José Magno não se dá por satisfeito. “Acho que ainda há muito a ser feito no interior do Estado. Esses municípios necessitam de mais políticas pública para a psicologia. Talvez falte uma divulgação maior da real função da Psicologia nesses lugares.”

Fonte: Revista do Conselho de Psicologia de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, mês Julho, pagina 10.

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